quarta-feira, 3 de março de 2010

Um dia de Sara

Hoje acordei sonolênta, já que não consegui dormir depois de um pesadelo no meio da noite. Tive um sonho em que meus pais não moravam mais comigo, e sim um homem muito estranho. E eu observava ele percorrendo pela casa, como se procurasse alguma coisa, dava pra ver pelo seu desespero. Ele nem percebeu que eu estava acordada, e ele continuou com sua busca até encontrar uma caixa preta no último armário de minha mãe.
O estranho soltou uma gargalhada insurdecedora, estremecendo meu corpo todo, e me escondi para o interior do meu quarto.
Acordei num pulo, com o coração acelerado, e suando frio.
Que seria esse pesadelo? Teria algum significado?
Bom, comecei a me arrumar para ir à escola, quando meu pai deu um grito de dentro do quarto ao lado. Não entendia muito bem o motivo, mas meus pais discutiam com bastante frequencia, era só se encontrarem que qualquer atitude desagradava um ao outro. Mas hoje foi diferente, ele gritou pra mim, me chamando para uma conversa séria. Ele disse que estava com outra mulher, e ele teria que me abandonar. Continuei não entendendo.
Meu pai me levou pela última vez para a escola. Eu deveria estar feliz ou triste com a partida de papai? O que esperam de mim é que eu sofra com essa situação. Pois então chorei e me despedi ao sair do carro.
Na escola, não conseguia prestar atenção em nenhuma matéria, muito menos no menino que sentava ao meu lado. "Ah que menino mais lindo! Como se eu tivesse chance com ele!" Era o que eu sempre pensava quando olhava pelo canto dos olhos. Nunca beijei ninguem, e ele deve me achar uma tola, por que nunca veio conversar comigo.
Mas, de qualquer forma, não era essa minha preocupação, não saberia entender se era surpresa ou uma agonia de saber que meus pais não estão mais juntos. Por que acontece as coisas, quando a gente menos espera? Com esse conflito de sentimentos, nem percebi que o menino de olhos verdes tinha chego perto de mim, e tocando na minha mão, perguntou se eu estava bem.
O menino me convidou para lanchar com ele, e em troca contar o que havia me acontecido. 'Puxa! Como ele é legal!" No intervalo, conversamos, trocamos histórias de vida, e os quinze minutos passou voando. E foi exatamente na batida do sinal, que ele me roubou um beijo. Morri de vergonha, fiquei vermelha, e esqueci até que lingua eu falava. Voltei para sala de aula, com o coração cantando de alegria, por instantes esqueci de todos os momentos ruins que eu passei!
Durante o resto da manhã, trocamos olhares um para o outro, mas nenhum dos dois se atreveu a iniciar uma outra conversa. E o sinal bateu novamente, mas para o fim das aulas. Sai da sala, quase que correndo para casa. Encontrei minha mãe deitada e aos prantos. Ela não tinha ido trabalhar, e nem pretou atenção na minha alegria. O mundo dela tinha se desmoronado, e eu querendo contar minha felicidade!
Fiquei extremamente chateada com ela por ela ter esquecido completamente de mim!
Me virei com o resto da janta, ja que eu estava atrasada para as atividades extracurriculares do colégio.
Foi no caminho que quiz morrer. Encontrei o ladrão do meu beijo aos amassos com uma outra menina da sala. Voltei correndo pros braços de minha mãe, deitei no lado dela chorando.
E foi nesse dia, num único dia que os dois homens da minha vida me decepcionaram.
Relembrei do sonho, do estranho que entrou em minha casa e roubou algo precioso que minha mãe tinha guardado com tanto carinho. E entendi. Era o amor que ela tinha guardado pelo meu pai. E agora não o tinha mais.

3 comentários:

  1. ahhhh adoro os anônimos... puta que paril mewww!!! hahahaha

    ResponderExcluir
  2. eu gostaria de expor mihnas experiencias destas forma, parabens Dre vc tem o dom da palavra bjs...

    ResponderExcluir