quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"- Nada!"

Era uma tarde qualquer
quando encontrei ela
encolhida pelo canto da rua.

-O que houve menina?
-Nada!
Não é preciso dizer nada,
quando um "nada" já diz tudo.

quem era eu para tentar confortá-la?
"quem sou eu?"
-quantos anos vc tem?
-17 anos

"nossa, tão novinha e já sofrendo por amor?"
tudo que se pensa, deve ser pensado duas vezes.
-que vc faz?
-Nada!

"vish, pior ainda, sofrer por alguem e não o ter com que passar o tempo!"
-O que pretende fazer?
-Ah entreguei uns currículos, mas por enquanto Nada!

-Por que não sai e não se distraia um pouco?
-ah não tenho amigos... nada!
"Nada disso eu senti..."

Achei que ela não se abriria comigo...
mas bastou acender um cigarro para ela desaguar em lágrimas
e o momento de explicações passou como uma brisa de verão
"isso é uma tristeza profunda, as vezes acho que sou fria demais..."

trocadas as histórias de vida, confortadas ou não...
nos sentimos melhores... disso eu tenho certeza.
ela enxugou as lágrimas e lhe dei um sorriso...
- Nada que o tempo não conserte!

Depois de uma última tragada profunda de um cigarro
e a bituca foi rolando a rua abaixo
e ela fez o mesmo.
Foi então que olhei para a menina sem nome.
e não foi preciso mais nenhuma palavra...
Nada!
não foi preciso...
Mais Nada!

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