sexta-feira, 27 de abril de 2012
Algo mais...
Desde que me conheço por gente, sempre fui um menino muito carente, sem motivo para alegria. E eu sendo filho único, me sentia solitário, um vazio profundo no peito que somente era preenchido por meus sonhos e planos para o futuro. Imaginava minha vida bem ao contrario do que ela é hoje. Pensava em ser alguém da vida, cuidar de mim e possivelmente cuidar da minha querida mãe, já que meu pai não vivia conosco há anos. Sonhava em me casar, ter filhos e dar a eles aquilo que um dia eu quis ter na minha infância e que a vida não pôde me oferecer. Meus sonhos eram tão alto que eu já podia imaginar a felicidade da minha família. Imaginava constantemente o que o futuro iria me trazer. Eu sempre tive amigos que tinham tudo que eles queriam, e eu me sentia muito triste por não poder ser como eles. Mas isto não me impedia de sonhar. Pensava em crescer e mudar minha historia, dar um novo rumo a minha trajetória. Eu cresci, e percebi que meus sonhos eram outros, não era os mesmos de minha mãe, eu pensei em dinheiro e não em dignidade. Eu cresci, criei asas e quis voar. Já hominho, acostumado com a luta do campo, pensei que não seria difícil enfrentar a vida, e com meus sonhos me incentivando a ir buscá-los, eu quis apressar meus passos. Eu era ainda uma criança, mas também bem crescido, imaginei que sabia o que seria a vida lá fora. Fugi de casa, dizia ir trabalhar, me sentia o dono de mim, quis aproveitar a vida, quis seguir meu caminho, nele andar sozinho. Eu esqueci que o mundo não foi feito somente para sorrir. Conheci pessoas, as quais me envolveram e minha dignidade se perdeu. Com elas, dei meus primeiros passos para a derrota, com elas comecei a usar coisas que sabia que não me faziam bem, mas ao menos, me deixava feliz, pois faziam esquecer os meus problemas e as minhas frustrações, mesmo que momentaneamente. Fiz muitos amigos, sendo os quais disseram serem meus amigos, pois me ajudaram só piorar ainda mais minha solidão. Sempre fui uma pessoa boa, de coração bom, mas com essa infelicidade interior, que me atormentava. Foi quando houve um acontecimento em minha vida. Um acontecimento que me marcou profundamente. A pessoa que mais me ajudou nesse tempo, foi minha mãe. Ela cuidou de mim como nunca tinha cuidado, e me fez perceber que a vida era muito curta para não aproveitá-la. E isso, me deu forças para seguir em frente e alcançar meus sonhos de criança. Foi assim que voei e busquei meus sonhos lá do alto. Comecei a cuidar mais de mim pessoalmente e profissionalmente, pois queria ser alguém na vida. Fazer o que mais gosto fazer, sentir a liberdade em meu corpo, me sentir livre e tendo prazer na minha profissão. Mas como sempre, a vida mostra caminhos que a gente precisa passar, mas não sempre fáceis de percorrer. Alguns dias, a tristeza vinha ao meu encontro, e nesses momentos eu desabava. Tudo que eu pensava em fazer, não tinha mais prazer. Foi quando eu conheci uma menina. Uma menina que me apaixonei, e fiz dela o meu refúgio. Tinha tanto amor por essa menina, que sentia medo de perdê-la a qualquer momento. Era o amor mais profundo que já senti em toda minha vida. Não era uma paixão de adolescência, em que olhava pra garota sentada na minha frente e imaginava andando de mãos dadas pelo corredor do colégio, ou então mandando bilhetinhos de amor sem ao menos dizer a ela quem era a pessoa que mais admirava. Era uma coisa real, e me fez querer ainda mais voar em busca dos meus sonhos. Foi assim que me tornei homem. Com ela me sentia Feliz, sim com letra maiúscula! Feliz e podia gritar para todo mundo ouvir – como dizia a música. Ela me fez acreditar que eu podia fazer tudo que eu queria. Ela me fez ver o quanto eu era importante para outra pessoa, e que a minha presença bastava, para o dia se tornar perfeito. Eu fazia tudo para ela ficar feliz, mesmo que algumas vezes deixava ela brava, mas eu adorava ela brava do mesmo jeito. Tentava fazer e mostrar a ela tudo que ela gostaria em um homem. Mas não conseguia perceber, que ela gostava de mim como eu era. Era muito inseguro e não tinha confiança em mim mesmo. Mas mesmo assim ela gostava de mim. Como isso é bom! Conhecer uma pessoa que gosta de você por ser simplesmente você. Por ela comecei a me profissionalizar, selecionar os amigos que realmente me queriam fazer bem, e também parar de usar coisas agressivas à minha saúde. Ah! Como o amor cura tudo! Tudo... não tudo! Infelizmente, tudo que é bom, dura pouco, não se pode ter a felicidade para todo o sempre! Foi passando os dias, os meses, e fui percebendo que queria um “algo a mais”, algo que fizesse meu espírito se libertar. Algo que me instigasse algo que me dê mais alegria, mais felicidade. Esse algo a mais, fez com que eu me perdesse novamente. Voltei a me prejudicar, usando essas formas ilícitas, para esquecer-se do sofrimento que proporcionei a mim mesmo. Eu queria voltar a ser como era antes, mas eu não conseguia. Era essa infelicidade dentro de mim que não deixava. Mesmo assim, a minha menina estava perto de mim. Tentando de todas as formas me deixar menos triste. Mas ainda não conseguia. Foi quando, um dia em uma viagem que resolvi fazer para me libertar um pouco. Nessa viagem que recebi minha resposta. Estava dirigindo à noite quando ouvi um barulho e ao mesmo tempo um clarão na frente da estrada que eu percorria. Sempre acreditei em extraterrestres, então pensei: “Nossa, não acredito que esta acontecendo isso comigo!”.Pensei em filmar, mas lembrei que tinha deixado a câmera no meu quarto. Foi então que esse clarão começou aumentar e chegar ainda mais próximo, ou então meu carro chegar mais próximo ao clarão. Eu queria de todo o jeito olhar o que estava acontecendo e não percebi que estava com uma velocidade acima do permitido para aquela rodovia. Fui me aproximando ao clarão, até que o barulho se repetiu, mas agora bem mais alto. Freei bruscamente, e o carro rodopiou. Sai do carro meio cambaleando de tanta ansiedade. E andei... andei... andei... Ate chegar a uma cabana no meio do nada. Achei muito estranho, pois não vi a estrada terminar, foi como se eu estivesse entrando em outra dimensão. Da cabana saiu um homem, vestindo roupas bem simples e surradas. Tinha uma barba grande, e um olhar profundo. Esse homem me chamou pelo nome, para entrar na cabana. Entrando na cabana, percebi que o lugar não era habitável, não existia móvel e utensílio doméstico algum, exceto por uma vela no meio da sala. O homem sentou-se ao centro, e pediu para sentar-se ao lado dele. Abri a boca para perguntar algo, mas ele pediu silêncio. Fiquei ouvindo tudo que ele tinha para falar. Esse homem sem nome, me contou a história de um homem que havia sofrido de todas as formas, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Na hora, não entendia que mensagem ele quis me passar. Suas palavras, tornaram como películas de cinema na minha mente, e me mostrou como a minha vida é maravilhosa. Que tenho amor e carinho tanto de mãe, como de companheira, que estava sendo egoísta, e que eu precisava me encontrar para sentir a liberdade que eu sempre procurava. “E como podia fazer isso?” Perguntei. Ele relutou um instante, e estendeu sua mão para minha frente pedindo a minha. Dei um aperto carinhoso, e senti uma vibração. Uma sensação estranhamente maravilhosa. Tudo que queria sentir em muitos momentos infelizes na minha vida, eu senti apertando a mão daquele senhor. Assustei-me e joguei meu corpo para trás. “Que você fez comigo?”. Ele sorriu e não disse nada. O sorriso permaneceu por mais um momento, interrompendo-o disse “Você tem que encontrar a felicidade dentro de você, para isso você deve se gostar mais, se valorizar, e fazer apenas coisas boas para você mesmo. Você deve crer em mim, crer de todo o coração. Eu posso fazer você feliz. Crê em mim que você encontrará a felicidade dentro de você!” O que era isso agora? me assustei novamente: “Crer em você? Mas quem é você?” Como resposta ele deu um último sorriso e com um assopro apagou a vela do centro da sala. Abri meus olhos, e acordei debruçado em cima do volante do carro. Minha cabeça latejava. E comecei a lembrar de tudo que tinha me acontecido, pois tudo parecia real. Mas o motivo de ter acordado no carro era ainda desconhecido. Seria apenas um sonho? Será que estou ficando louco? Foi um sinal? Toda aquela conversa foi então reprisada na minha mente, uma, duas, três vezes. Com certeza era um sinal para mim. Era um motivo. Tinha significado. Era algo que eu sempre procurava. Voltei a olhar para a estrada, dei meia volta e iniciei meu caminho de volta para casa.
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